O ceratocone modifica a forma da córnea e pode causar astigmatismo irregular, imagens distorcidas e dificuldade para enxergar mesmo com óculos novos. O diagnóstico precoce permite acompanhar a evolução e avaliar, no momento adequado, medidas para reduzir a progressão. Para melhorar a visão, há diferentes tipos de lentes de contato. Em casos selecionados, o anel intracorneano também tem um papel: modificar a curvatura da córnea e favorecer uma superfície mais regular. Seu efeito sobre o grau, porém, não pode ser previsto com precisão.
No início, a mudança pode parecer apenas um aumento frequente do grau. A investigação é importante quando os óculos deixam de oferecer boa visão, há aumento do astigmatismo, imagens com sombras, dificuldade visual à noite ou hábito frequente de coçar os olhos. Jovens com alergia ocular ou familiares com ceratocone também merecem atenção.
A topografia e a tomografia de córnea ajudam a identificar alterações e a registrar uma referência para comparação com exames futuros. Descobrir a doença cedo amplia a oportunidade de avaliar o risco de progressão e, quando indicado, realizar o crosslinking antes que a córnea se torne mais irregular. O acompanhamento precisa continuar mesmo quando a visão melhora com uma lente.
É uma doença em que a córnea (a lente transparente na frente do olho) afina e se curva aos poucos até ganhar o formato de um cone. A visão fica distorcida, o astigmatismo aumenta e, de repente, os óculos deixam de corrigir bem. Costuma aparecer na adolescência ou no início da vida adulta.
O ceratocone não leva à cegueira total, mas sem acompanhamento, pode comprometer drasticamente a qualidade de vida. Com o diagnóstico precoce (que a Dra. ressalta no vídeo), é possível conter a progressão e voltar a enxergar bem com lentes de contato especiais.
Não tem cura, mas tem controle. O tratamento tem dois focos: impedir que a doença avance (por exemplo, com a cirurgia de Crosslinking) e devolver a qualidade de visão (com óculos ou lentes). São caminhos distintos e que frequentemente se complementam.
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o ceratocone afeta cerca de 1 a cada 2.000 pessoas, sendo uma das principais causas de transplante de córnea no Brasil quando os primeiros sinais são ignorados.
O ceratocone costuma dar sinais antes do diagnóstico definitivo. Vale a pena investigar com um especialista quando:
O grau de astigmatismo
muda a cada consulta
Os óculos são novos e
a visão continua ruim
Um olho enxerga com
sombra ou imagem dupla
As luzes têm halos
e rastros à noite
Você coça muito os olhos,
tem rinite ou alergia
Alguém da família
tem ceratocone
1. A córnea está progredindo? Quando há progressão e a córnea atende aos critérios clínicos, o crosslinking pode ser indicado para reduzir a velocidade de evolução.
2. Como obter melhor visão no dia a dia? Óculos e, sobretudo quando há irregularidade importante, lentes de contato especiais são recursos de correção visual. Em casos selecionados, o anel pode alterar a forma da córnea, mas seu efeito sobre o grau e a visão não é previsível. A escolha depende da forma da córnea, da visão alcançada, do conforto, da rotina e do exame ocular.
Uma medida pode complementar outra. Uma lente que dá boa visão não substitui o acompanhamento da progressão; o crosslinking, por sua vez, não garante que o paciente dispense óculos ou lentes.
Em formas iniciais, podem oferecer visão satisfatória com manejo simples. À medida que a irregularidade da córnea aumenta, os óculos podem deixar de corrigir bem as distorções.
Alguns desenhos específicos podem ser úteis em casos selecionados, conforme a irregularidade e a visão obtida no teste. Podem favorecer a adaptação de quem prefere uma lente flexível, mas nem sempre neutralizam bem uma córnea muito irregular. Lentes gelatinosas comuns não equivalem às lentes desenhadas para ceratocone.
São menores e apoiam-se na córnea. A superfície óptica regular criada pela lente pode proporcionar visão mais nítida que os óculos quando há astigmatismo irregular. Há desenhos próprios para diferentes formatos de cone. Seu tamanho pode facilitar o manuseio para alguns pacientes, mas conforto, estabilidade e relação com a córnea precisam ser avaliados em teste. Uma primeira tentativa desconfortável não encerra as possibilidades de adaptação.
A lente híbrida combina centro rígido com uma periferia flexível. Na adaptação em dupla camada, uma lente rígida é usada sobre uma gelatinosa. São alternativas que podem ser consideradas quando se busca conciliar qualidade óptica e tolerância, conforme a anatomia ocular. A adequação, o manuseio e a saúde da superfície ocular devem ser avaliados individualmente.
Têm diâmetro intermediário e podem oferecer mais estabilidade ou um padrão de apoio diferente do de lentes corneanas menores. A escolha do desenho depende do formato da córnea e da região onde a lente se apoia. O nome ou o diâmetro, por si só, não garantem mais conforto ou melhor visão.
São maiores e se apoiam na esclera, passando sobre a córnea sem tocá-la quando bem adaptadas. O espaço entre lente e córnea é preenchido com solução apropriada. Podem ser especialmente úteis em córneas muito irregulares, após outros tratamentos ou quando uma lente menor não é tolerada. Exigem adaptação cuidadosa, treino de colocação e retirada, higiene e retornos para avaliar a saúde ocular e ajustar a lente. Em alguns pacientes, a visão pode embaçar durante o dia e exigir cuidados adicionais.
Não existe uma sequência obrigatória em que toda pessoa tenha de experimentar todos esses modelos. A melhor opção é a que oferece visão útil, boa tolerância e adaptação segura para aquele olho.
O crosslinking é um procedimento destinado principalmente a reduzir a progressão do ceratocone. Sua indicação considera a idade, os sinais de evolução e as características da córnea. Ele não foi criado para substituir a correção visual; após o procedimento, o paciente pode continuar precisando de óculos ou lentes. Uma avaliação precoce é valiosa porque permite decidir sobre essa possibilidade antes de uma perda maior da regularidade corneana.
O anel é formado por segmentos implantados dentro da córnea para modificar sua curvatura. Em casos bem selecionados, sua vantagem é reduzir parte da irregularidade corneana e criar condições ópticas mais favoráveis. Isso pode trazer benefício à qualidade visual e à reabilitação com lentes de contato. Não se trata, porém, de uma cirurgia refrativa: a mudança do grau após o implante varia entre pacientes e não pode ser prevista com precisão. A indicação é feita pela possibilidade de benefício para aquela córnea, sem prometer independência de óculos ou lentes.
O anel não cura o ceratocone nem substitui o crosslinking quando há indicação de controlar a progressão. Na prática clínica, a maioria dos pacientes volta a usar lentes de contato após o implante para alcançar a melhor visão possível. Isso não significa que o anel tenha sido inútil: os recursos podem se complementar, conforme o resultado anatômico e visual de cada olho. A indicação depende da espessura e do formato da córnea, da localização do cone, da presença de cicatrizes e da visão obtida com as opções não cirúrgicas. Como em toda cirurgia, há riscos e resultados variáveis, que devem ser discutidos antes da decisão.
A pergunta certa é o que se pretende resolver. Uma lente escleral bem adaptada pode oferecer excelente correção óptica sem cirurgia, mas depende do uso e dos cuidados diários. O anel modifica a curvatura da córnea por meio de cirurgia e pode oferecer benefício anatômico em olhos selecionados. Seu efeito no grau não é previsível, e a lente de contato costuma continuar necessária após o procedimento. Em certas situações, os recursos podem ser combinados. O teste de lentes e a análise dos exames ajudam a comparar as alternativas para cada olho.
A avaliação considera o histórico de mudanças do grau, exames anteriores, visão com óculos, topografia e tomografia de córnea, espessura corneana, alergias, superfície ocular e rotina do paciente. Quando indicado, são testadas lentes de prova para avaliar visão, conforto e ajuste. A decisão leva em conta também a facilidade de manuseio, o tempo de uso esperado, os cuidados necessários e o acompanhamento posterior.
Traga seus óculos, lentes atuais e exames anteriores. A comparação entre exames realizados em momentos diferentes é especialmente útil para avaliar a evolução.
Recebeu o diagnóstico de ceratocone, percebeu mudanças frequentes no grau ou não consegue boa visão com seus óculos? Uma avaliação da córnea permite entender a evolução e testar as possibilidades de correção mais adequadas para você.
Agendar avaliação pelo WhatsAppSaiu de uma consulta com indicação de cirurgia e ficou em dúvida? Pedir uma segunda opinião é um direito do paciente e uma prática comum e altamente recomendada na medicina oftalmológica.
Na avaliação, a Dra. Tania revisa todos os seus exames, repete o que for necessário e responde a três perguntas centrais para a sua tranquilidade:
Às vezes, a conclusão é exatamente a mesma da primeira consulta. O que importa é você decidir com segurança, entendendo o porquê de cada conduta.
Importante: Traga todos os exames que tiver, inclusive os mais antigos. São eles que mostram a linha do tempo e se a doença de fato avançou.
"Ceratocone pede calma, bons exames e acompanhamento de perto. Pressa raramente ajuda."
Dra. Tania Schaefer
O ceratocone costuma aparecer entre os 10 e os 20 e poucos anos, e é justamente nessa fase de desenvolvimento que ele tende a avançar mais rápido.
Por isso, no paciente adolescente, o acompanhamento deve ser muito mais rigoroso e frequente. A decisão sobre intervenções cirúrgicas (como o crosslinking para frear a doença) costuma vir mais cedo do que em adultos.
Quem tem histórico de ceratocone na família, ou pais com quadros de alergia importante, tem um forte motivo para avaliar os filhos mais cedo.
Um simples exame de topografia identifica alterações mínimas antes de surgir qualquer sintoma.
O grau do seu filho aumenta todo ano? Conheça nossos protocolos de controle da miopia →
Dedico minha carreira à oftalmologia clínica e cirúrgica, com atenção especial à córnea, ao ceratocone, ao olho seco e às lentes de contato especiais.
Minha trajetória acompanha a evolução da medicina e das novas tecnologias, sempre preservando aquilo que considero indispensável: escuta, atenção e um cuidado pensado de forma individual para cada paciente.
Minha formação começou na Universidade Federal de Juiz de Fora e seguiu por importantes instituições do país, com residência em Oftalmologia no Serviço do Professor Paiva Gonçalves e fellowship na Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro. Mais tarde, concluí MBA em Gestão em Oftalmologia pela UNIFESP e PhD em Medicina pela Universidade de São Paulo USP.
Minha trajetória na oftalmologia também se estende à atuação institucional, com participação ativa em entidades e iniciativas importantes para a especialidade, no Brasil e internacionalmente.
Fui Presidente da SOBLEC (Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria) no biênio 2020/2021 e integro o corpo clínico do Hospital CDOP, onde realizo cirurgias.
Também exerço liderança em entidades voltadas ao estudo da refração e controle da miopia, sendo atual Presidente da ABRACMO (Academia Brasileira de Controle da Miopia e Ortoceratologia) e Presidente Global do IMCLC (International Medical Contact Lens Council).
Exames complementares podem ser realizados no mesmo local, conforme a necessidade e a disponibilidade. Fica no térreo, na Av. Pres. Getúlio Vargas, Água Verde, com fácil acesso, estacionamento próximo e total acessibilidade para sua comodidade.
Atendo particular e pelos convênios abaixo.
* Alguns procedimentos, como a adaptação de lentes especiais, podem não ter cobertura. Informamos antes da consulta.
Não necessariamente. A conduta depende de progressão, qualidade da visão e características da córnea. Alguns pacientes usam óculos ou lentes e são acompanhados; outros podem ter indicação de crosslinking.
Não. Ela melhora a correção da visão enquanto está em uso. O acompanhamento da córnea continua necessário.
Possivelmente. Outros desenhos, diâmetros e formas de apoio podem produzir uma experiência diferente. O teste clínico mostrará quais opções são adequadas ao seu olho.
Geralmente, não. O anel pode melhorar a regularidade da córnea em casos selecionados, mas não corrige o grau de modo previsível. A maioria dos pacientes continua a usar lentes de contato para obter sua melhor visão.
Não. O crosslinking é usado principalmente para reduzir a progressão. O anel busca modificar a curvatura da córnea, sem efeito refracional previsível; em geral, as lentes de contato continuam fazendo parte da correção visual. A indicação de um, de ambos ou de nenhum depende do caso.
Coçar os olhos com frequência e força está associado ao surgimento e à piora da doença. Controlar rinite e alergia ocular faz parte do tratamento.
Existe um componente familiar: quem tem parente de primeiro grau com ceratocone tem risco maior. Isso não significa que os filhos terão a doença, mas justifica avaliá-los.
Sim, são 29 convênios, além do atendimento particular. Veja a lista na seção de convênios ou confirme seu plano pelo WhatsApp.